História Siderópolis

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Após a promulgação da constituição de 1946, o Brasil passou a viver um tempo de democracia que se estendeu até o golpe militar de 1964. Foi nesse período de liberdade que se restabeleceu a independência dos três poderes e a autonomia dos estados e municípios.

Decorrente das eleições municipais de 1947, no dia 05 de dezembro de 1947, foi instalada a câmara de vereadores de Urussanga, sob o comando do Juiz da 34ª Zona Eleitoral, Doutor Lourenço Rolando Malucelli. A presidência da casa ficou com o Srº. Rosalino Damiani, através de eleição secreta e, ato contínuo, a posse do prefeito eleito de Urussanga, o Srº. Torquato Tasso. Do Distrito de Sideropolis, nessa legislatura, o Srº. João Cesa tornou-se o primeiro vereador a tomar posse no legislativo municipal. Também o Distrito de Treviso teve no vereador Domingo Rizzati o seu primeiro representante na câmara municipal.

Na segunda legislatura, de janeiro de 1951 a janeiro de 1955, sob a presidência do vereador Hugo Stopazzolli, começou o movimento de emancipação do distrito de Siderópolis, conforme o que consta nas páginas 1 e 2 da ata da 10ª. Cessão Ordinária da Câmara Municipal, de 10 de agosto de 1953. “Após, foi apreciada pelo Plenário o ofício da Assembléia Legislativa, do Estado, sobre a creação de novos municípios, lido na reunião anterior. Acerca do assunto, manifestou-se o Vereador José Tiago da Luz, sugerindo uma resposta favorável do Legislativo, quanto à criação do Município de Siderópolis, o que foi aprovado por unanimidade.”

Nota-se que o nome Siderópolis já é lembrado para ser o nome do novo município no ano de 1953 e esta preferência se dá em detrimento do nome Nova Beluno. Tudo indica que a presença da companhia estatal de mineração, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), desde o início da década de 1940, no distrito, seja a razão principal da preferência pelo nome Siderópolis. No entanto, na terceira legislatura, com a posse para o segundo mandato, o vereador José Feltrin deu entrada na câmara do Projeto de Resolução 3/58, no dia 07.11.1958, propondo a criação do Município de Nova Beluno. Por determinação do presidente da casa, Sr. Almir dos Santos Pinheiro, foi criada uma Comissão Especial para estudar e dar o parecer quanto ao projeto de criação do novo município, comissão essa que ficou assim constituída: da União Democrática Nacional (UDN) os vereadores José Feltrin, João Sonego e Manoel Nicolazzi e da Aliança Democrática Urussanguense os vereadores João Cesa (PSD) e Delírio Egídio Ubialli (PSD).

Em 11 de novembro de 1958, o Projeto de Resolução 3/58 foi aprovado por unanimidade pelos vereadores presentes. Entretanto, uma emenda substancial do vereador Manoel Nicolazzi mudou o nome do futuro município de Nova Beluno para Siderópolis, conforme consta na ata da câmara municipal: “… o Srº. Vereador Manoel Nicolazzi justificou o motivo porque apresentava a referida emenda; justificação essa baseada, principalmente, na circunstância de haver recebido de vários habitantes, de Siderópolis um apelo no sentido de ser o novo município denominado Siderópolis, nome do atual distrito que, com o de Treviso, irá integrar a nova comuna”.

Finalmente, em 19 de dezembro de 1958, foi criado o município de Siderópolis pela lei nº. 380, assinada pelo Governador do Estado de Santa Catarina, Heriberto Hulse. A partir dessa época, a ideologia do carvão e do progresso foi obscurecendo rapidamente a ideologia da imigração-colonial. A exaltação ao progresso do carvão propiciado pela CSN foi tão eufórica e sedutora, que a população só percebeu a famosa “paisagem lunar” de Siderópolis depois que a Companhia Siderurgia Nacional saiu de cena.

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Depois que a população tomou consciência do violento processo de degradação ambiental, as vozes dos poucos habitantes que ousaram resistir ao “progresso do carvão” começa a ressurgir das cinzas. Assim, descendentes dos imigrantes que aqui chegaram, ao final do século XIX, entendem que o nome do município escolhido, inicialmente pelo Vereador Jose Feltrin (Nova Beluno) deveria motivar um amplo debate de discussão na comunidade, como forma de reparar o suposto erro cometido no passado. Independente do juízo de valor que se fizer sobre a decisão tomada na época, atualmente, é praticamente algo inconcebível homenagear uma empresa de mineração de carvão com o nome de um município, salvo em circunstâncias de manipulação política e econômica ao estilo da cultura política que professa uma fé inquestionável na ideologia do progresso, ou no discurso do “Desenvolvimento Sustentável”, para falar no conceito da moda. 

 

Nilso Dassi – Licenciado e Bacharel em História pela UNESC

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